A hipocrisia da extrema direita
As instituições que representam interesses da elite econômica costumam ser diretas em suas propostas: defendem reformas que prejudicam os trabalhadores e a classe média, como mudanças na Previdência, aumento da idade de aposentadoria e contenção de benefícios. Essas posições dialogam com setores influentes do mercado financeiro e empresarial, como a “Faria Lima”, a bancada da Bala, do Boi e da Bíblia, dos beneficiários da desoneração fiscal, dos jogos eletrônicos, das Big Techs, dos rentistas, dos investidores da dívida pública, dos beneficiários da desoneração fiscal, da taxa Selic e até para os barões do crime organizado, que influenciam fortemente nas decisões políticas e no financiamento de campanhas.
No entanto, durante períodos eleitorais, parte dos políticos alinhados à direita adota um discurso voltado à defesa dos trabalhadores, da classe média e dos pequenos empresários. Na prática legislativa, porém, quase sempre são priorizadas agendas econômicas que não correspondem a esse discurso, num nítido contraste entre a retórica e as ações concretas. Hoje, o Congresso é majoritariamente alinhado à direita e extrema direita, e isso explica por que propostas que favorecem o mercado avançam com facilidade, enquanto pautas sociais ou trabalhistas enfrentam resistência.
Dizem que o povo está cansado da esquerda. Mas será mesmo? Governos como os de Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff conseguiram avanços sociais importantes, mesmo enfrentando forte oposição no Congresso. Isentar o Imposto de Renda para a grande maioria dos brasileiros é um feito extraordinário. O próximo desafio é o fim da jornada de trabalho 6x1, para oferecer melhores condições de vida para a classe trabalhadora.
A verdade é que o sistema político brasileiro, baseado em coalizões, impede mudanças profundas sem maioria parlamentar. Ainda assim, é nos governos progressistas que surgem os principais avanços para trabalhadores e para a classe média. Lideranças como Getúlio Vargas e João Goulart, embora não se encaixem perfeitamente nas categorias atuais, promoveram medidas que ampliaram direitos trabalhistas e buscaram maior inclusão social, enfrentando forte resistência de setores conservadores. Diante desse cenário, é fundamental ampliar o debate público com informação e senso crítico. A participação política consciente exige mais do que adesão a rótulos: envolve compreender como as decisões são tomadas, quem se beneficia delas e quais são seus impactos reais na vida da população.
Por isso, mais do que repetir discursos prontos, é essencial entender quem realmente se beneficia das decisões políticas. O desafio é avaliar propostas, cobrar coerência dos representantes eleitos e buscar políticas que promovam desenvolvimento econômico com justiça social.
Votar com consciência é defender não apenas ideias, mas o próprio futuro.
Professor Juvenal de Aguiar – Historiador, Escritor, Bloguista, Petista e Diretor Estadual da APEOESP.
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