Política Sindical
Política Sindical
“O cenário mundial é dramático, e pode levar a humanidade à barbárie. Para alterar a atual correlação de forças, é urgente ampliar a mobilização social. A extrema-direita e o neoliberalismo não serão derrotados, sem a elevação da qualidade de vida, e sem recuperar direitos e sem um incansável combate ao racismo estrutural e à opressão de gênero.
São imensas as dificuldades de organização dos trabalhadores, fruto das mudanças profundas no mundo do trabalho e do retrocesso no seu nível de consciência. Por isso mesmo, essa gigantesca tarefa exige o esforço de diversos sujeitos sociais coletivos. Demanda um movimento sindical enraizado no cotidiano dos trabalhadores. Os sindicatos e a CUT precisam recuperar a sua capacidade de unificar as lutas, de fazer a disputa político-ideológica, articulando as mobilizações imediatas ao projeto histórico do socialismo.
A política de conciliação de classes atravessa o movimento sindical, submetendo as pautas ao “possível” na correlação de forças do governo. Assim, abandonou-se, na prática, a organização da luta pela revogação da Reforma Trabalhista e da Previdência. Em nome da governabilidade, a CUT passou dois anos eximindo das críticas ao “arcabouço fiscal”.
Como aspecto positivo, em 2025, o plebiscito popular dialoga com a população sobre temas estratégicos. As mobilizações em defesa da soberania nacional, contra a PEC da bandidagem e pela isenção do Imposto de Renda “furaram a bolha”. E enviaram um recado explícito: é possível mobilizar, sensibilizar a sociedade, acuar um congresso conservador e arrancar vitórias.
Apesar dos sinais alvissareiros, o cenário permanece complexo. A extrema-direita ainda possui forte influência sobre a classe trabalhadora. Falta ao movimento sindical iniciativa de desdobramentos concretos para a organização e unificação. Mesmo assim, os sindicatos travam lutas importantes, mas setorizadas.
No caso dos servidores públicos, a pressão contra a Reforma Administrativa, com mobilização institucional e dos trabalhadores em Brasília, repercutiu e vem segurando a votação.
É prioritária a organização dos Fóruns Estaduais das três esferas das entidades Cutistas para construir calendários de mobilização e lutas comuns, recuperando o protagonismo. A organização sindical das mulheres historicamente conquista direitos apesar das profundas desigualdades de gênero, raça e classe. Houve avanços inegáveis para as mulheres trabalhadoras durante os governos Lula e Dilma. O golpe e a prisão de Lula e os governos Temer e Bolsonaro inspiraram retrocessos. Para combater a superexploração e as opressões, é indissociável a articulação entre classe, raça e gênero. É preciso intensificar a organização das mulheres trabalhadoras nos sindicatos e movimentos relacionados ao direito ao trabalho”. Texto extraído da revista Página 13 – PT.
Professor Juvenal de Aguiar – Diretor da APEOESP, Historiador, Escritor, Bloguista e Petista.
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