Analfabetismo Político (10). Votar contra si mesmo!

Desde a Antiguidade, a elite dominante, grupo minoritário que detém o poder político, econômico e institucional, constrói narrativas falsas para subjugar a classe trabalhadora, grupo social que abrange desde o tradicional operariado industrial até o prestador de serviço, profissionais autônomos e funcionários públicos. No passado, essas mentiras eram disseminadas por editais, ordens imperiais e boatos; hoje, ganham escala e força por meio dos grandes veículos de comunicação tradicional e do disparo em massa nas mídias sociais. Essa elite — que ao longo da História já se vestiu com as roupas de nobres, sacerdotes, guerreiros e generais — sempre defendeu os detentores dos meios de produção, classe com a qual ela própria se funde. Para garantir seus privilégios, os poderosos estabelecem regras cruéis de exploração. Frequentemente recorrem à violência física e psicológica para silenciar qualquer divergência, por menor que seja. Esse massacre social ocorre desde que o ser humano se tornou o lobo do próprio homem, consolidando-se a partir do surgimento do escravismo. Para organizar ou reorganizar a sociedade sob seus termos, as elites alternam-se entre regimes: • Nas ditaduras e tiranias: impõem a força bruta e o terror para obter a obediência cega dos trabalhadores. • Nas democracias: refinam o uso da mentira e da desinformação para se manterem no topo do poder político. É por meio do medo manipulado e da desinformação planejada que ocorre o maior dos absurdos: uma parcela significativa da classe trabalhadora acaba votando no seu algoz. No Brasil de hoje, essa minoria dominante atende pelos nomes de burguesia, banqueiros, latifundiários, grandes empresários e patrões. Politicamente, organizam-se na extrema-direita e em seus lacaios — políticos que buscam e recebem os votos do povo, mas legislam e governam exclusivamente para o topo da pirâmide. Vendem uma imagem de bondade e humanização, quando na verdade utilizam suas mídias para convencer a maioria explorada a legitimar a própria opressão. Em contrapartida, a esquerda assume o papel progressista de defender o povo e lutar por justiça social, apesar de não dispor dos mesmos canais de comunicação de massa para politizar a população e evitar que ela vote em seus próprios algozes. O maior exemplo desse fenômeno de autossabotagem eleitoral ocorre na educação. Os professores paulistas foram sistematicamente massacrados pelos governadores que ocuparam o Palácio dos Bandeirantes nos últimos cinquenta anos. A única e honrosa exceção nessa história foi o saudoso governador Franco Montoro. Infelizmente, as gestões recentes se consolidaram como as mais perversas da história do magistério paulista. O atual governador, Tarcísio de Freitas, lidera um processo agressivo de desmonte, governando de costas para os serviços públicos e de frente para a especulação financeira. Ainda assim, de forma inacreditável, vimos educadores apoiando e fazendo campanha para os seus próprios carrascos. Um Chamado ao Despertar Espera-se que, nas próximas eleições, a categoria finalmente acorde e lidere a mobilização em apoio ao Professor Fernando Haddad para o Palácio dos Bandeirantes. Haddad é o único que já provou, na prática, ter o compromisso e a capacidade de realizar reformas que beneficiem de fato os alunos, os professores e toda a comunidade escolar, aplicando o humanismo petista para resgatar os direitos de quem trabalha. Trabalhadores, fiquem atentos e vejam quem é quem! Jamais votem contra si mesmos, ou estaremos condenados a mais quatro anos de lamentações. Prof. Juvenal de Aguiar Penteado Neto - Historiador, Escritor, Blogueiro, Petista e Diretor Estadual da APEOESP

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